terça-feira, 20 de dezembro de 2011



XIV

Lilases, Túlio, celebremos
O estarmos vivos, milagre
A que os demais assistem
Distraídos, e nós amantes
Nos sabemos perplexos
Floridos e vorazes
Diante deste banquete.
Vívidos, Túlio, celebremos.
Ao rei dos reis, o poeta pede
Paixão-Eternidade, Virtude
Da Razão, ainda que aos vossos olhos
Tais nobrezas a princípio pareçam
Coisa irreconciliável

Mas o difícil em nós
Se faz ilhaneza, porque o poeta
Pede à divindade. Ouro mais raro
É ouro permissível, se no abismo
Em que vive, coexiste
O envoltório do amor. em nós
Convivem, Túlio, os dúplices
Difíceis. Abracemo-nos. Celebra.
Enquanto estamos vivos.


(Árias pequenas - para bandolim, de Júblio Memória Noviciado da Paixão - Hilda Hilst)


Green Attack









Blackbird singing in the dead of night,
Take these broken wings and learn to fly.
All your life, you were only waiting for the moment to arise.


Blackbird singing in the dead of night,
Take these sunken eyes and learn to see.

All your life,
You were only waiting for the moment to be free
.Black bird fly, black bird fly
Into the light of the dark black night.





Sem tentativas, só lembranças.



Dez decisões moldam minha vida, despois desse aniversário, a perspectiva mudou muito. Até mesmo sobre coisas que se manteram diferentemente iguais. Mas eu sinto-me consciente apenas sobre cinco delas. Sete maneiras de ir para a faculdade, mesmo que  eu seja notada ou deixada de fora. Ainda são as sete maneiras de ir em frente, sete razões para não visitar sem avisar.

E eu digo, mesmo depois de tanto, eu posso me ver em teus olhos... mesmo que eu saiba que a tua resposta seria "eu posso te ver em minha cama". Não é só amizade, é também romance mas você não gosta de dizer que sim. Nem que não. Permanece fingindo e fugindo. Mesmo que goste de música, se recusa a dançar comigo.

Me sente.
Me cale.
Eu vou me acalmar.
E eu começarei junto com você.

Tá bom. Existe um momento que todos nós falhamos, ou, talvez, muitos. Algumas pessoas levam isso muito bem, ou fingem que levam. Outras descontam tudo isso nelas própias - o que talvez seja nosso caso. Outras, descontam simplesmente nos amigos - o que é o seu caso só. No fim, todo mundo joga o mesmo jogo e se se escolhe não jogar, pira. Acontece que não, não é mais seguro. Nos perdemos nessa de tentar nos perder. Seria o que? Medo de se encontrar? De me encontrar? De perceber que meu devaneio era mais racional que seu coração gelado?

Todo mundo estava bem vestido. Todo mundo estava uma bagunça. E você estava mais presente por estar ausente. Ah, todas as garotas fazem jogos psicológicos - ainda não aprendeu? Quer mesmo permanecer se machucando? Por que não experimentar de tudo? Se você só lembrará de tudo uma vez.


Somos três. O que, na verdade, é apenas um. Eu, você e ele. Nós. O que nos torna tudo. 
E nada.



Love Hurts







Apenas pare de se machucar,
Dizendo para não tentar, que algum dia… vai passar.
Porque te enganas?
Porque não me chamas?
Se as chamas desse mistério, apagou.
Cinzas,
Aqui restou.
O vento entrou, ficou, soprou.
Nada sobrou.


rafael iotti


domingo, 18 de dezembro de 2011

E sobre a festa do meu aniversário?








New Rules




To every thing, turn, turn, turn,
There is a season
And a time to every purpose under heaven
A time to be born, a time to die.
A time to plant, a time to reap.
A time to kill, a time to heal.
A time to laugh, a time to weep.
A time to build up, a time to break down.
A time to dance, a time to mourn.
A time to cast away stones
A time to gather stones together.
A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace.
A time you may embrace.
A time to refrain from embracing.
A time to gain, a time to lose.
A time to rend, a time to sew.
A time to love, a time to hate.
A time for peace, I swear it's not too late.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

último dia




Amanhã será 16 de dezembro de 2011 (JÁ!). Amanhã será meu aniversário. 20 anos. Um amigo meu me disse que a parte mais triste é nunca mais ter "deze...", talvez a tristeza venha por essa fase DEZ... ter passado. Esse ano foi intenso, como todos os anos da minha vida já foram. Mais dois semestres na faculdade. Mais um emprego que se foi. Mais novas entrevistas que vieram. Mais um namoro que chegou ao fim. Muitos amigos feitos pelo caminho. E bons, muito bons. Perdas e ganhos. Conquistas e derrotas. Como sempre foi, sempre será. Ganhei uma carta ontem, quase anônima, ironizando o quanto tudo sempre é mais difícil e melodramático pra mim, mas me lembrando o quanto isso me torna mais forte - e louca, achando que infinitas-possibilidades é filosofia de vida. E não é? 

O que começou com um verão daqueles inesquecíveis, passou por problemas financeiros (que permanecem), por show mais esperado de todos, punk como way of life, sextas geladas em um bar molhado terminando em muito chororô de bossa-nova. Me abracei em Maysa e Amy, chorei pela dor de nós três. Alguém me disse que era preciso exorcizar a dor e, certamente, mpb nunca foi tão salvadora da pátria. "Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor", aprendi a respeitá-la. Aprendi a não desistir. Aprendi que era melhor deixar ir. A perda, o fim, o escuro da solidão me fez cair ao mesmo frio relento do qual já provei, mas, também, me fez dar passos maiores que meus próprios sonhos. Me descobri mais madura e mais forte, sim. Descobri que o mundo lá fora realmente existe e é muito melhor do que eu imaginava. Descobri o Rio. Descobri o carioca. A praia, o suíngue até no jeito de olhar. Descobri que as possibilidades podem virar realidades e que experiências são melhores do que materialismo.

Perdi o rumo. Perdi o norte. Perdi a cabeça. Bebi, mesmo sem saber. Fugi, mesmo sem ter pra onde. Voltei, mesmo não devendo - mas só pra pegar minhas coisas e ir embora. Aceitei meu caso sério comigo mesma. Fiz um novo blog. Conheci novos timbres. Novos rostos. Novos braços. Mas a tristeza não tem fim, felicidade sim. Olhei de novo e percebi que não merece o afago nem de Deus nem do Diabo. Saí correndo. Antes tarde do que nunca. 

Laços feitos e desfeitos nunca foram tão intensos. Principalmente os feitos. Construí uma nova família, com Muito Amor. Conheci a franqueza de um Chuck, o idealismo de um Bass, a improbabilidade de um Bobby, a inocência de um Tony, as novas galáxias de um astronauta. Aprendi a rir da própria Psicose, me virar na própria via láctea, que não tinha nada de Wonderland. Irmãos nunca foram tão Hermanos. Fotografias, tão detestáveis, a capacidade de guardar momentos só pra mim tornou-se um privilégio acordado com a minha eternidade. Marthas, Tom, Joãos, Natálias, Clarices, Iottis, Chicos... nunca estiveram tão certos.

19 anos. Continua sendo a lei da selva, Dibob, mas com a vida mais wild.