domingo, 26 de fevereiro de 2012






Hello for the new



Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro.Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.
Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos. O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim. Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.
E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão...Caminhamos juntas: eu comigo mesma!


via ♥


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Felicidade



Nós somos claramente responsáveis pelas consequências das nossas atitudes. Como há duas semanas, quando me dei conta de que tinha guardado a conta de luz de dezembro e esquecido de pagar. Foram três horas vivendo na Era pré-Thomas Edison, em um dia cheio de textos deixados para a última hora.
Nós também somos responsáveis pelo que dizemos - e pelo que deixamos de dizer. Sou pentacampeã mundial na categoria falar coisas horríveis sem pensar. E, na maioria das vezes, o arrependimento vem durante o vômito de palavras inconsequentes, raramente acompanhado de um pedido de desculpas. Porque sou hexacampeã em orgulho idiota.
Nós somos responsáveis - ou pelo menos tentamos ser responsáveis - por uma lista infindável de obrigações morais. Não conseguimos nem nos livrar daqueles que cativamos. Como decretou Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe", somos eternamente responsáveis por essa gente. E eu sei bem disso, pois não suporto a ideia de que exista alguém no mundo que não goste de mim.
A justificativa para todas essas responsabilidades, incluindo a de ficar magra, bem vestida, ter um trabalho apaixonante e uma pessoa incrível para amar e ser amado, é chegar a algo próximo do que se considera "felicidade".
Mas será que, assim como nossas contas para pagar, nós somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade?
É natural pensarmos que não. Aprendemos desde cedo, na escola, que os seres humanos dependem de outros seres humanos. Lembro da professora de "Atualidades" falando sobre como o comércio é uma das provas de que não somos autosuficientes. Nós precisamos trocar para sobreviver.
E seguindo essa lógica, seria, de fato, impossível ser feliz sozinho. Tom Jobim devia concordar com a minha antiga professora de "Atualidades". De repente eles até já se pegaram. Isso explicaria muita coisa do que ela dizia nas aulas.
De todo modo, se eles estiverem certos - minha professora de "Atualidades" e o Tom Jobim - então a felicidade está fora da nossa esfera de responsabilidade. Nós dependemos da troca com outros seres humanos para sobreviver. Nós dependemos do quanto os cativaremos e do quanto seremos cativados por eles. Nós dependemos das suas escolhas, das suas palavras e das consequências de suas atitudes. E, por isso, meus caros, seja como for, a culpa por nossos infortúnios jamais haverá de ser nossa.
Ufa.
Acontece que, ao nos livrarmos do terrível peso de sermos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade, adquirimos outras cargas, tão trambolhudas quanto. Como a autopiedade, por exemplo. Culpar o mundo pelas injustiças sofridas, lamuriar-se pelas tristezas vivenciadas, sofrer, sofrer, sofrer, e depois sofrer mais um pouco é o que os seres humanos fazem quando isentos da responsabilidade de serem felizes.
Ok, nós precisamos da troca com outros seres humanos. Nós damos batatas e recebemos tomates de volta. Só que se os tomates vierem todos podres, cabe somente a nós decidir o que fazer com eles. Podemos sentar e chorar, nos vitimizar, repetir que "só acontece comigo", que "é sempre assim", "ó vida, ó azar"... ouuu - e sim, existe um ou - podemos elegantemente juntar os tomates podres, jogá-los na lixeira e fazer o melhor que nos for possível com as batatas que restaram na despensa.
Não digo que é um trabalho simples. É milhões de vezes mais tentador chorar pelos tomates podres no chão. Eu, por exemplo, seria uma suicida nata, não fosse pelo meu egocentrismo exacerbado. Sou boa demais para morrer, seria um desperdício. Mas tenho total consciência de quando escolho ser infeliz. É aquela fração de segundo em que você deliberadamente opta pelo sofrimento. Você tinha escolha, mas preferiu a habitual dose de autodestruição e autopiedade. E é quase compreensível. É muito mais fácil ser infeliz.
Para tentar ser feliz, você precisa assumir responsabilidade pelas trocas efetuadas com outros seres humanos. Para o bem e para o mal, você é o único responsável pela forma como essas negociações te afetam. Já para ser infeliz, você não precisa fazer absolutamente nada. É só esperar um pouco que os tomates podres virão. E eles virão aos montes.





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Santa



Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim.

Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade.

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar.

Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez.

Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Não há.



Quando tua mente esteve confusa, a minha também ficou. Não consigo mais dormir, porque dói quando penso, dói quando lembro, não me sinto a vontade com os planos que fizemos
e os riscos que tomamos. Talvez não sejam seus, muito menos meus, mas algo nos fez esquecer que há ondas que podem se quebrar, assim como todas as palavras que falamos e que acabaram no lugar das que realmente queríamos ter dito. Hoje, palavras podem não ser o suficiente. Mas eu te peço, fica em casa pra descançar, só essa noite e então, pelo amor de Deus, tente fechar seus olhos e procure dormir e sonhar comigo, só mais uma vez. Durma e saiba que se eu soubesse todas as respostas, eu não as esconderia de ti. Compartilharia tudo que eu sei, porque nós dissemos um ao outro que não tinha outro jeito e assim nos afastamos.

Silêncio demais pode confundir tudo. Não precisa mais encontrar razão, pela mesma porta que entrou está indo embora, como um dia que acabou e faz parte de uma estação. Acabou.

And there's no other way.









quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012








Um causa que valha a pena



Eu queria encontrar um motivo forte pra abrir os olhos pela manhã, virar o quadril e pôr os pés no chão. Algo que fosse nobre o suficiente para me engrandecer. Que meu braços pudessem abraçar e doar tudo que há em mim. Algo que eu pudesse ver resultados concretos, desses que deixam o passado pra trás, onde nunca mais irão voltar. É como se a minha própria necessidade de tantas coisas não tivesse sentido se comparada a necessidade de tantas outras pessoas. Quase mais não dói minhas feridas perto de tantas outras por fome, abandono, solidão, pobreza, desgraça, tragédias. Torna-se praticamente insignificante a minha história, o meu passado, o meu presente perto de quem não teve e, possivelmente, nunca terá nenhum dos dois. Me sinto mal por isso, como se eu estivesse abusando da boa vontade e do tempo dos outros (principalmente do meu), enquanto tantas outras pessoas seriam bem mais merecedoras do que tenho e, às vezes, não me satisfaço com tal. Ocupo espaço nas redes sociais, em blogs, em cadernos, em ombros que tão melhor poderiam ser aproveitados. Há, enquanto eu revivo infinitas vezes o que já teve seu fim decretado, milhares de outros corações e pulsam por tristezas maiores que a minha. E ainda, os que param de pulsar, por "vontade" de quem os detinha, por simplesmente não ter encontrado nenhuma outra saída.

Queria eu me doar a causas mais nobres, mais necessitadas, mais concretas. Queria eu alimentar bichos em extinção e ajudar com a natureza. Queria eu me engajar com organizações em prol do meio ambiente, começando por parar de cuspir o chiclete na rua. Queria eu poder deixar tudo pra trás e alimentar crianças em zonas de maior pobreza. Queria eu sentar com adolescentes e ouvir suas lamúrias, tentando mostrar-lhe que nem tudo é tão difícil quanto parece ser. Mas e o que eu diria? Iria mentir que a vida é fácil e simples, que é possível encontrar-se na natureza, que o amor é o mais sublime dos sentimentos? Mentir porque assim soaria melhor, porque assim, mesmo que por minutos, poderíamos tentar ver a realidade de uma forma mais leve. Mas não posso. Não consigo mentir pra mim mesma nem ao me olhar no espelho, com lágrimas ainda rolando. Não posso dizer a alguém que "vai ficar tudo bem" se pra mim esse clichê ainda não se fez realidade. Não posso.

A melhor causa que eu poderia me engajar é a minha. Da minha felicidade, do controle sobre meus pensamentos, minhas atitudes, minha vida. E essa é a mais difícil. Outras realidades não são sentidas por nós justamente por não serem nossa. E a nossa não é resolvida justamente por não nos engajarmos com nós mesmos. Uma causa que valha a pena? Se encontrar, me diga como ajudá-la.





"(…) E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém."
— Caio Fernando Abreu