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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Abra a Felicidade

*Baseado em uma história real (absurda, mas real.)

Todos os meses, conforme o ciclo miraculoso da vida, seres humanos do sexo feminino passam por algumas transições. Quando aproximam-se os dias de tais mudanças, que envolvem alterações no humor e no comportamento, estranhas vontades desabrocham da forma mais latente possível no organismo da mulher. Tais vontades, se não saciadas, passam a ter grande importância em suas vidas, influenciando quase que totalmente em futuras manifestações do ser que a comporta.

Aconteceu nesse período crítico. Final de mês e início da manifestações de monstros obscuros guardados no mais profundo lugar de todo um ser. Eles saem como caça às bruxas. Deixam o sangue fervilhar em busca de doces, comidas muito salgadas, carne, refrigerante, balas, chiclé, chocolates, roupas novas, beijos, err... O ser tomado pela invasão, cegamente, usa das mais variadas estratégias para satisfazê-los e mandá-los embora de vez. Mas eis que uma vontade não pôde ser atendida: a vontade de beber Coca-Cola.

Todos os dias, em qualquer canal de qualquer tv (a cabo, parabólica, pilha, web), alguma propaganda desse líquido preto e mágico é esfregada na nossa cara. Publicitários de plantão abrem bem os olhos e ouvidos (e coração) para se entregar a mais uma novidade do cargo que, um dia, irão alcançar. "Abra a felicidade", dentre tantas outras sacadas, ecoa no ser que por Coca-Cola suplica. As borbulhas que fazem cócegas na ponta do nariz podem ser sentidas novamente, mesmo que apenas por recursos breves da imaginação. A leve ardência por entre o céu da boca e a língua é imediatamente sentida quando a vontade não pode mais esperar. A lembrança da bebida mágica que escorre por entre o sistema digestivo, mas que esvai-se pelas veias espalhando felicidade e satisfação, não o deixa dormir. 

A vontade se torna mais forte que os próprios pensamentos, que a própria razão. Vasculha-se por entre todos os bolsos na busca das últimas moedas que possam fazer o intercâmbio entre a vida e a morte dos monstros de alteração hormonal.E então, no mais rápido passo, se chega a aldeia mais distante, conhecida por "padaria", onde guarda, às sete chaves da segurança maior do Estado, a única, a maior, a imbatível, inigualável, incrível Coca-Cola.

E assim, com o poder de combater todo o mal do mundo e curar todas as dores sem que nada, nunca, jamais possa chegar à sua altura de importância, tradição e excelência, é aberta a Felicidade, no girar mais rápido da sua chave vermelha-redonda, com a inconfundível trilha sonora de abertura.

Todos os monstros estão mortos. É guerra vencida. Vitória!
Abra a felicidade todos os dias.






segunda-feira, 2 de abril de 2012



"Apaga-se lentamente um tempo que há tempos não me pertencia mais. Apaga-se na veracidade do novo Sol que todos os dias nasce como se fosse a primeira vez; impecável. Abre em forma de novidade latente um coração novo, tão novo que parece com o velho, onde há promessas malucas, tão curtas quanto um sonho bom. Os pesadelos escorregam por entre os cabelos que esticam-se junto com o corpo que se espreguiça. A verdade nunca foi tão ilusória e tão real. Cobertor pra aquecer o coração, os medos se perdem nas ruas geladas deixadas pra trás. "É pra te proteger da solidão", diz, mesmo sem saber. Vaga na lua deserta, pula por entre as estrelas, deixa rastro de saudade tão fresca quanto voz de verão. Constrói-se um novo abrigo, sem mais desculpas, na decoração perfeita, flutuando meio bossa nova e 'rock'n roll'. Tudo existe, menos o não.


Feeling like this








quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Summer Love




Ela sabia que não duraria. Sabia que não era mais um falso "para sempre". Era apenas um "até o final desta semana". Sabia, mas entregou-se e mergulhada naquela nuvem verde que bloqueava a visão do quarto quente, perdeu a razão em manter-se serena. Ultrapassou os limites das próprias convicções em prol do inesquecível. Ignorou a impossibilidade do caso evoluir e seguiu em frente como quem corre sem parar ao ver o oásis no deserto. Miragem. Nada mais que isso. Uma clareira luminosa que encontrou na escuridão, uma estrela do oriente em meio ao concreto do Sul. Será magia, miragem ou milagre? Era tudo. Junto. Intenso e imenso. Belo e puro. E rápido. Rápido o suficiente para tornar-se inesquecível. Sabe grandes celebridades que morrem cedo? Os bons não duram para sempre. Nem muito. Foi como havia de ser, foi como havia sido desejado, planejado, sonhado. Um delírio. Sob o sol do fim da tarde.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

último dia




Amanhã será 16 de dezembro de 2011 (JÁ!). Amanhã será meu aniversário. 20 anos. Um amigo meu me disse que a parte mais triste é nunca mais ter "deze...", talvez a tristeza venha por essa fase DEZ... ter passado. Esse ano foi intenso, como todos os anos da minha vida já foram. Mais dois semestres na faculdade. Mais um emprego que se foi. Mais novas entrevistas que vieram. Mais um namoro que chegou ao fim. Muitos amigos feitos pelo caminho. E bons, muito bons. Perdas e ganhos. Conquistas e derrotas. Como sempre foi, sempre será. Ganhei uma carta ontem, quase anônima, ironizando o quanto tudo sempre é mais difícil e melodramático pra mim, mas me lembrando o quanto isso me torna mais forte - e louca, achando que infinitas-possibilidades é filosofia de vida. E não é? 

O que começou com um verão daqueles inesquecíveis, passou por problemas financeiros (que permanecem), por show mais esperado de todos, punk como way of life, sextas geladas em um bar molhado terminando em muito chororô de bossa-nova. Me abracei em Maysa e Amy, chorei pela dor de nós três. Alguém me disse que era preciso exorcizar a dor e, certamente, mpb nunca foi tão salvadora da pátria. "Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor", aprendi a respeitá-la. Aprendi a não desistir. Aprendi que era melhor deixar ir. A perda, o fim, o escuro da solidão me fez cair ao mesmo frio relento do qual já provei, mas, também, me fez dar passos maiores que meus próprios sonhos. Me descobri mais madura e mais forte, sim. Descobri que o mundo lá fora realmente existe e é muito melhor do que eu imaginava. Descobri o Rio. Descobri o carioca. A praia, o suíngue até no jeito de olhar. Descobri que as possibilidades podem virar realidades e que experiências são melhores do que materialismo.

Perdi o rumo. Perdi o norte. Perdi a cabeça. Bebi, mesmo sem saber. Fugi, mesmo sem ter pra onde. Voltei, mesmo não devendo - mas só pra pegar minhas coisas e ir embora. Aceitei meu caso sério comigo mesma. Fiz um novo blog. Conheci novos timbres. Novos rostos. Novos braços. Mas a tristeza não tem fim, felicidade sim. Olhei de novo e percebi que não merece o afago nem de Deus nem do Diabo. Saí correndo. Antes tarde do que nunca. 

Laços feitos e desfeitos nunca foram tão intensos. Principalmente os feitos. Construí uma nova família, com Muito Amor. Conheci a franqueza de um Chuck, o idealismo de um Bass, a improbabilidade de um Bobby, a inocência de um Tony, as novas galáxias de um astronauta. Aprendi a rir da própria Psicose, me virar na própria via láctea, que não tinha nada de Wonderland. Irmãos nunca foram tão Hermanos. Fotografias, tão detestáveis, a capacidade de guardar momentos só pra mim tornou-se um privilégio acordado com a minha eternidade. Marthas, Tom, Joãos, Natálias, Clarices, Iottis, Chicos... nunca estiveram tão certos.

19 anos. Continua sendo a lei da selva, Dibob, mas com a vida mais wild.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Morro de Amores



Leblon Nov/2011     |      Do meu Instagram


O Rio. Têm crianças nas praças e praças no morro. Morro de amores. Rio da leveza desse povo, carregado de calor e de luta, povo bamba, que cai no samba, dança o funk e tem suingue até no jeito de olhar. Tem balanço no trajeto, no andar. Andar de cima, tem a música tocando. Andar de trem, tem gente em cima equilibrando. Andar no asfalto os carros quentes vão passando. Andar de baixo tem a moça no quintal cantarolando. Rios e baixadas, com seus vales vale a pena. Sua pobreza é quase mito quando fito o seu contorno, lá do alto de algum dos seus mirantes, que são tantos(!!!).E quem te disse que miséria é só aqui? Quem foi que disse que a miséria não sorri? Quem tá falando que não se chora miséria no Japão? Quem tá pensando que não existem tesouros na favela? Seus santos são fortes. Adoro o seu sorriso. Zona Sul ou Zona Norte, seu ritmo é preciso. Então tudo passa a valer a pena e a alma já não é mais tão pequena


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bobby Alien



Tudo ia muito bem no Reino Desunido. Os pássaros cantavam nas janelas, o frio com Sol fazia surgir sorrisos em todos os rostos do reino. Uma nova dinastia estava para nascer. A nova família real tomaria conta do feudo, após vencer na batalha dos mares. Era primavera. As flores apareciam para ver a boa nova acontecendo. Exalavam um perfume inconfundível, marca do Reino. Era tranquilo, era sereno - não necessariamente feliz. Os capitães juntaram-se às forças armadas por terra e pelo ar e tudo parecia muito protegido. Até mesmo os astronautas cuidavam do universo tão particular. 

Toda força e poder não poderiam combater apenas um mortal inimigo: Bobby Alien. O Reino temia tanto que este nome era proibido por lei de ser mencionado. A última vez que aparecera, devastou e arrasou com tudo, não sobrando nada. Ninguém conseguia combate-lo. Parecia ser invencível. Parecia. A calma no Reino era como um ensurdecedor chamado e as autoridades sabiam disso. Foi então que, numa noite fria, enquanto princesas e príncipes dormiam em seus belos castelos silenciosos, Bobby, ultrapassando todas as forças que ali concentravam-se, invadiu o Reino. Seu semblante facial era de alguém que viria para acabar com tudo, novamente. E não restou mais dúvidas. Destruiu grades, queimou tratados, rasgou todas as flores, acabou com todos os sorrisos. Levou consigo o Sol que restava para iluminar. E fugiu. Para uma galáxia muito longe e inatingível.






sábado, 22 de outubro de 2011

Lição da Semana


 
Um fato sabido é que o luxo só existe às custas de muita miséria e o bem-estar social é privilégio de poucos, que se pratica uma lavagem cerebral disfarçada com o nome de entretenimento, mas mesmo diante da maior das atrocidades, não experimentaremos sentimentos como o ódio e o desprezo, ao invés disso nossos corações transbordarão amor e compaixão.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011



Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.'


Caio F


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eu o encontrei quando não quis mais encontrar meu amor



Negação



 Pode não parecer, mas nego a realidade. Nego pra que ela pare de doer. Nego pra fingir que foi embora, que a desconheço, que nunca existiu. Ela mora dentro de mim e meus dias resumem-se a fingir. Negar. E se, por descuido, ela aparecer, em seguida encontro outra ilusão. Em mundo de astronauta, não existe razão, não existe relógio, mas mesmo assim o tempo passa. Mesmo assim a realidade insiste. Em mundo real, não existe astronauta. Deveria eu negar a comprida jornada ou a rápida carona do seu foguete? Negar é arte, é medo, é precisão de movimentos milimetricamente desenvolvidos. Eu te nego na minha realidade e te aceito na minha ilusão. Te quero, não nego não, mas não espere eu pôr os pés no chão.



domingo, 2 de outubro de 2011

Mundo da Lua




Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te.

Menino vadio...



... quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo...
Calor que provoca arrepio,
Toma esta canção
Como um beijo...