Vou senti falta dessa mesa que não usei o bastante. Vou sentir falta dessas janelas largas que não usufruí o bastante. Vou sentir saudade dessa vista que não olhei cada centímetro com atenção o bastante. Vou sentir falta de coisas que nem me dou conta agora e que, daqui a alguns dias, não terão sido o bastante. As tele-entregas poderão me acompanhar, mas o viaduto não. O movimento continua por perto, mas a avenida não. As padarias existirão, mas a favorita não. Muitas coisas mudam e eu cada vez mais tento aceitar a ideia de que tudo, tudo, completamente tudo muda. Ou vai mudar um dia. Eu não sou a mesma do mês passado e - espero - não serei a mesma mês que vem. As pessoas crescem - ou deveria crescer. As oportunidades surgem. E se vão. Os dias vêm, mas acabam. O Sol bate forte, mas eu preciso terminar minha pauta. As flores cor-de-rosa-digna-de-fotografia caem enquanto eu passo pelo parque que sempre quis entrar e sentar, mas eu preciso voltar ao trabalho. Meu irmão cresce e eu não presencio. O amor reaparece e eu não me agarro. O ódio vem e eu não o mando embora. Sinto forte movimentos pela frente, sinto o fim de um ano completamente transitório chegar, sinto a novidade, o desconhecido, o pânico e o fervor do meu sangue borbulhar dentro de mim. Caminho e penso em sete temas diferentes pra escrever, mas sento e não consigo redigir nem uma frase. Ligo e penso em não ligar, mas só me arrependo depois de dar tchau. Gasto tentando encontrar meu dever de não consumir, mas me faço vítima e doadora da minha própria felicidade de plástico. Encontro novas relações miojo, mas só até o dia seguinte. Tenho super ideias, mas minha boca não consegue abrir nem para bocejar no brainstorm. Quero, mas sei que não posso. Falo sem pensar. Penso sem falar. Sinto sem existir. Vejo onde não há. Como seria possível ter um céu azul, se estou no escuro? Seria possível ainda ser você, se nem eu mesma sou mais eu mesma? Desconheço o território a minha frente, mesmo sendo as mesmas calçadas-com-pedras-soltas de todos os dias. Testo novos sabores, mas me desperta a gastrite. Vou além do que posso e me surpreendo. Sou capaz de ouvir novamente. Sou capaz de ser gentil novamente. Sou capaz de estar aberta a novas coisas novamente. Mas continuo insatisfeita com o background do twitter, a capa do facebook, os namorados apaixonados sempre se beijando na minha frente, as velhinhas demoradas na fila, a fila do banco, a monitora da minha turma, os porteiros do meu prédio, as pedras soltas na rua, o frio, a solidão, a azia, a gastrite, a comida, a corrida, as cores, os amores. Percebo que foi e continua sendo mais fácil reclamar, mesmo sendo verdadeiramente grata às conquistas que eu mesma ganhei, que eu mesma desbravei, que eu mesma venci. Bato forte no peito o orgulho de ser quem eu sou, do jeito que sou, do tamanho que sou, na verdade que sou, pelo fato de ser a cada dia mais forte, pelo fato de ter chegado ao ponto de que as únicas pessoas que quero surpreender são meus pais e meu chefe. Eu só ainda não posso responder do que é feita a vida, mas posso dizer o que a vida fez de mim.
Mostrando postagens com marcador Porto Felicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Porto Felicidade. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
O que fazer quando definitivamente não se sabe o que fazer
Marcadores:
20.,
2012,
Antoine,
Casa,
Céu azul no escuro,
É você,
Frase do Dia,
Lá no fundo de mim,
ÔnusxBonus,
Percebe?,
Porto Felicidade,
Sobre as pessoas,
Stupid Cupid
segunda-feira, 2 de julho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Por amor ào Rio e à Sexta-feira
Quando
De vez em quando
Talvez um tanto
Faz tanto fez
Passando a vez
De par em par
Le petit prince égoïst
E sua flor de uísque
Em seu planeta sem cor
Mas quem se importa?
Somos
A vez dos zonzos
Talvez enquanto
Quisermos ser
Daqui pra já
Eu e você
Daqui pra lá
Não vai sobrar
Nada pra ser
Mas quem se importa?
É sexta-feira, amor! Sexta-feira!
Tanto
Faz qualquer canto
Pra qualquer santo
Que saiba ler
Que queira dar
Sem receber
Que esteja a par
Do que vai ver
De onde vai dar
Mas quem se importa?
É sexta-feira, amor!
Tem quem queira!
Giramundocão.
terça-feira, 24 de abril de 2012
“Hoje de manhã eu acordei e fiquei olhando para tudo catatônica, um misto de susto com deslumbramento. Me dei conta de que essa é a pior e a melhor fase da minha vida. Eu nunca andei tão triste e nem tão feliz. Foi difícil enterrar tantos mortos e tantas rotinas, mas está sendo muito fácil viver dentro de mim.”
- Tati Bernardi
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Carta de amor à mim mesma
Manuella,
Escrevo enquanto te olho por dentro. O que vejo nem precisa ser bonito, nasci para amar tudo que vem de você. Escrevo pra te fazer um afago. Porque te conheço inteira, naquela hora em que tudo é silêncio e sombra, naquela hora em que sua gargalhada é um sol. Desse seu corpo que nasceu para abraçar, eu conheço cada poro. Conheço cada sopro, cada falha na tua voz. Toda a força do teu canto desafinado, eu conheço. Eu te conheço além da tua relação anti-convencional com teus homens. Com tuas mulheres. Com essas pessoas que você ama.Com essas que você (tenta) se recusa a odiar porque não quer despender energia pra isso.
Eu te conheço doendo. Eu te conheço em paz .E é por isso, Manuella, que eu sou a pessoa que mais poderia amar você. Porque não me interessa onde você erra, me interessa o que você aprende, apreende, absorve. Me interessa é como você se transforma. Interessa é o teu olhar de novidade derramado sobre as coisas simples e cotidianas como se descobrisse a essência do mundo diariamente. O que interessa é esse seu medo da morte, a sedução que ela exerce sobre você e o teu instinto de vida tão maior que tudo. Eu te conheço boêmia, anestesiada porque tua intensidade sufocando, apertando os dentes. Eu te conheço premonitória, dando consultas em mesas de bar, plantando esperanças porque a intuição disse que sim, vai dar certo, e, ás vezes, dá.
Eu te conheço arrasada, opaca, ferida, feroz. Rabugenta. Confusa. E não é menos Manu. É a outra ponta do extremo. A totalidade. Eu te conheço tendo recaídas, não sendo ingênua mas optando por acreditar no outro de novo, de novo, de novo. Mas só até a terceira vez. Eu te conheço com um mau-humor contagiante, com uma disposição esfuziante, com uma alegria solitária ou sozinha com os teus livros e uma canga à parte pra eles. Aquela que só entra no mar de mãos dadas com alguém porque tem medo de não sair. A que evita altura porque quando olha pra baixo só pensa na queda. A amiga popular e agregadora. A que morre de ciúmes e toma omeprazol efervescente pra acalmar a gastrite ciumenta.
Eu nasci pra amar você porque sei dos teus desesperos, tropeços, anseios. Sei da tua honestidade quando sente. E dessa intranqüilidade pela falta de ambição. Te conheço acordando de madrugada só pra anotar uma frase. E fazendo da prosa poética teu sossego. Da vontade que você tem de voltar logo pra casa só pra escrever aquele texto que nasceu durante a caminhada. Das tuas roupas com cores desconexas .Da tua irritação com pessoas desconectadas. Tua preocupação com o lixo. Teu preconceito com o luxo. Teu boteco copo sujo. E a solidão permanente e o teu namoro com a vida.
O que ainda posso dizer? Que você, Manu, vive para a palavra, mas anseia viver exatamente aquilo que ela não alcança.
E é por isso que eu te amo além do amor.
Eu te amo para sempre. Hoje.
* texto de Marla de Queiroz, adaptado.
Marcadores:
20.,
2012,
AcheiGosteiColei,
Alice,
Blog de Cabeceira,
Eu sou a favor do amor,
Frase do Dia,
Lá no fundo de mim,
Marla de Queiroz,
Percebe?,
Porto Felicidade,
Sobre as pessoas,
Vida Real
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Abra a Felicidade
*Baseado em uma história real (absurda, mas real.)
Todos os meses, conforme o ciclo miraculoso da vida, seres humanos do sexo feminino passam por algumas transições. Quando aproximam-se os dias de tais mudanças, que envolvem alterações no humor e no comportamento, estranhas vontades desabrocham da forma mais latente possível no organismo da mulher. Tais vontades, se não saciadas, passam a ter grande importância em suas vidas, influenciando quase que totalmente em futuras manifestações do ser que a comporta.
Aconteceu nesse período crítico. Final de mês e início da manifestações de monstros obscuros guardados no mais profundo lugar de todo um ser. Eles saem como caça às bruxas. Deixam o sangue fervilhar em busca de doces, comidas muito salgadas, carne, refrigerante, balas, chiclé, chocolates, roupas novas, beijos, err... O ser tomado pela invasão, cegamente, usa das mais variadas estratégias para satisfazê-los e mandá-los embora de vez. Mas eis que uma vontade não pôde ser atendida: a vontade de beber Coca-Cola.
Todos os dias, em qualquer canal de qualquer tv (a cabo, parabólica, pilha, web), alguma propaganda desse líquido preto e mágico é esfregada na nossa cara. Publicitários de plantão abrem bem os olhos e ouvidos (e coração) para se entregar a mais uma novidade do cargo que, um dia, irão alcançar. "Abra a felicidade", dentre tantas outras sacadas, ecoa no ser que por Coca-Cola suplica. As borbulhas que fazem cócegas na ponta do nariz podem ser sentidas novamente, mesmo que apenas por recursos breves da imaginação. A leve ardência por entre o céu da boca e a língua é imediatamente sentida quando a vontade não pode mais esperar. A lembrança da bebida mágica que escorre por entre o sistema digestivo, mas que esvai-se pelas veias espalhando felicidade e satisfação, não o deixa dormir.
A vontade se torna mais forte que os próprios pensamentos, que a própria razão. Vasculha-se por entre todos os bolsos na busca das últimas moedas que possam fazer o intercâmbio entre a vida e a morte dos monstros de alteração hormonal.E então, no mais rápido passo, se chega a aldeia mais distante, conhecida por "padaria", onde guarda, às sete chaves da segurança maior do Estado, a única, a maior, a imbatível, inigualável, incrível Coca-Cola.
E assim, com o poder de combater todo o mal do mundo e curar todas as dores sem que nada, nunca, jamais possa chegar à sua altura de importância, tradição e excelência, é aberta a Felicidade, no girar mais rápido da sua chave vermelha-redonda, com a inconfundível trilha sonora de abertura.
Todos os monstros estão mortos. É guerra vencida. Vitória!
Abra a felicidade todos os dias.
Todos os monstros estão mortos. É guerra vencida. Vitória!
Abra a felicidade todos os dias.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)




