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terça-feira, 26 de junho de 2012

D-E-S-I-S-T-O





Antoine, Astronauta, Bobby Alien, Chuck, John, Pierrot, Bass, Denis, Maricá, Você. Vocês todos, caras da minha vida, vocês todos os quais eu (d)escrevi aqui, os quais eu sonhei, chorei, gritei, deixei, amei, vocês todos estão oficialmente demitidos da minha vida. Gastei tempo demais com vocês. Me amaram, me fizeram sentir as coisas mais lindas (e mais terríveis) que eu já senti. Intensos, densos, lindos, charmosos e o melhor de tudo: únicos. Cabe a mim guardar sim, cada segundo que entre nós foi compartilhado, porém, a fila anda, o mundo gira, as pessoas mudam. E você mudaram, assim como eu. Sou grata e isso basta. Adeus.


Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Summer Love




Ela sabia que não duraria. Sabia que não era mais um falso "para sempre". Era apenas um "até o final desta semana". Sabia, mas entregou-se e mergulhada naquela nuvem verde que bloqueava a visão do quarto quente, perdeu a razão em manter-se serena. Ultrapassou os limites das próprias convicções em prol do inesquecível. Ignorou a impossibilidade do caso evoluir e seguiu em frente como quem corre sem parar ao ver o oásis no deserto. Miragem. Nada mais que isso. Uma clareira luminosa que encontrou na escuridão, uma estrela do oriente em meio ao concreto do Sul. Será magia, miragem ou milagre? Era tudo. Junto. Intenso e imenso. Belo e puro. E rápido. Rápido o suficiente para tornar-se inesquecível. Sabe grandes celebridades que morrem cedo? Os bons não duram para sempre. Nem muito. Foi como havia de ser, foi como havia sido desejado, planejado, sonhado. Um delírio. Sob o sol do fim da tarde.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

último dia




Amanhã será 16 de dezembro de 2011 (JÁ!). Amanhã será meu aniversário. 20 anos. Um amigo meu me disse que a parte mais triste é nunca mais ter "deze...", talvez a tristeza venha por essa fase DEZ... ter passado. Esse ano foi intenso, como todos os anos da minha vida já foram. Mais dois semestres na faculdade. Mais um emprego que se foi. Mais novas entrevistas que vieram. Mais um namoro que chegou ao fim. Muitos amigos feitos pelo caminho. E bons, muito bons. Perdas e ganhos. Conquistas e derrotas. Como sempre foi, sempre será. Ganhei uma carta ontem, quase anônima, ironizando o quanto tudo sempre é mais difícil e melodramático pra mim, mas me lembrando o quanto isso me torna mais forte - e louca, achando que infinitas-possibilidades é filosofia de vida. E não é? 

O que começou com um verão daqueles inesquecíveis, passou por problemas financeiros (que permanecem), por show mais esperado de todos, punk como way of life, sextas geladas em um bar molhado terminando em muito chororô de bossa-nova. Me abracei em Maysa e Amy, chorei pela dor de nós três. Alguém me disse que era preciso exorcizar a dor e, certamente, mpb nunca foi tão salvadora da pátria. "Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor", aprendi a respeitá-la. Aprendi a não desistir. Aprendi que era melhor deixar ir. A perda, o fim, o escuro da solidão me fez cair ao mesmo frio relento do qual já provei, mas, também, me fez dar passos maiores que meus próprios sonhos. Me descobri mais madura e mais forte, sim. Descobri que o mundo lá fora realmente existe e é muito melhor do que eu imaginava. Descobri o Rio. Descobri o carioca. A praia, o suíngue até no jeito de olhar. Descobri que as possibilidades podem virar realidades e que experiências são melhores do que materialismo.

Perdi o rumo. Perdi o norte. Perdi a cabeça. Bebi, mesmo sem saber. Fugi, mesmo sem ter pra onde. Voltei, mesmo não devendo - mas só pra pegar minhas coisas e ir embora. Aceitei meu caso sério comigo mesma. Fiz um novo blog. Conheci novos timbres. Novos rostos. Novos braços. Mas a tristeza não tem fim, felicidade sim. Olhei de novo e percebi que não merece o afago nem de Deus nem do Diabo. Saí correndo. Antes tarde do que nunca. 

Laços feitos e desfeitos nunca foram tão intensos. Principalmente os feitos. Construí uma nova família, com Muito Amor. Conheci a franqueza de um Chuck, o idealismo de um Bass, a improbabilidade de um Bobby, a inocência de um Tony, as novas galáxias de um astronauta. Aprendi a rir da própria Psicose, me virar na própria via láctea, que não tinha nada de Wonderland. Irmãos nunca foram tão Hermanos. Fotografias, tão detestáveis, a capacidade de guardar momentos só pra mim tornou-se um privilégio acordado com a minha eternidade. Marthas, Tom, Joãos, Natálias, Clarices, Iottis, Chicos... nunca estiveram tão certos.

19 anos. Continua sendo a lei da selva, Dibob, mas com a vida mais wild.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Green Green Green



É verde por todos os lados. Por natureza, simples, único, incomparável. Por genética, charmoso e lindo. Pela beleza, por dentro e por fora. Pela cultura que mais ninguém tem. É tão singular que, às vezes, preciso beliscar-me para atestar minha realidade - apesar de meus sentidos sempre estarem perdidos quando estamos em contato. Por ser madrugada, por ser bom demais pra ser verdade. Estamos envolvidos pelos mesmos ideais e pela mesma distância, que quase desaparece em tanta semelhança. Uma nuvem, que nos faz emergir e sobrevoar nossos cotidianos, também verde, não nos deixa esquecermos um do outro. Não nego que seja déjà-vu e também não estou me referindo à situações recentes... falo em outros tempos, coisas até não vividas, ou sim, mas impossíveis de se comprovar. Só nós podemos dizer que isso é verdade. Só nós podemos acreditar. Só nós. Inseridos em mundos tão diferentemente iguais. E não poderia ser diferente. Não comigo. Afinal de contas, um amor impossível só se cura com outro. Igual. Impossível.