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domingo, 4 de março de 2012



encerrando ciclos. começando novos.



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. 

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.  O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.  As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. 
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". 

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.


Fernando Pessoa




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Morro de Amores



Leblon Nov/2011     |      Do meu Instagram


O Rio. Têm crianças nas praças e praças no morro. Morro de amores. Rio da leveza desse povo, carregado de calor e de luta, povo bamba, que cai no samba, dança o funk e tem suingue até no jeito de olhar. Tem balanço no trajeto, no andar. Andar de cima, tem a música tocando. Andar de trem, tem gente em cima equilibrando. Andar no asfalto os carros quentes vão passando. Andar de baixo tem a moça no quintal cantarolando. Rios e baixadas, com seus vales vale a pena. Sua pobreza é quase mito quando fito o seu contorno, lá do alto de algum dos seus mirantes, que são tantos(!!!).E quem te disse que miséria é só aqui? Quem foi que disse que a miséria não sorri? Quem tá falando que não se chora miséria no Japão? Quem tá pensando que não existem tesouros na favela? Seus santos são fortes. Adoro o seu sorriso. Zona Sul ou Zona Norte, seu ritmo é preciso. Então tudo passa a valer a pena e a alma já não é mais tão pequena


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dia das Crianças



Seria fácil eu falar de coisas bonitas e encantadoras que supostamente rondam a infância, enchendo-a de felicidade... não só fácil como clichê. Então, vamos assim... "Quando eu era criança", talvez como a maioria delas, eu queria logo ser adulta, independente, sozinha, viajar o mundo e voltar pra uma casa só minha onde eu pudesse dançar qualquer música pop cafona bem alta em todos os cômodos da casa e comer a parte do meio de uma melancia inteira. Eu queria ter dinheiro, ser modelo, ser médica, ser executiva e vendedora de loja. Queria um namorado pra me ligar o dia inteiro. Comia todos os doces da casa escondido. Tive muitas cáries e nenhum medo de dentista e muito menos de andar na rua. Mas havia uma coisa que eu detestava mais do que tudo naquela universo: a escola. Chorei muito por culpa dessa maldita... mas deixa essa parte pra lá.

Quando eu era criança, eu queria fazer tudo que me fizesse sentir livre. E fazia. E sonhava. Hoje, que a vida real já me fez cair de bunda no chão várias e várias (e, tipo, várias) vezes, sinto um pouco de receio na hora do "vamos ver" mas não deixei o "bota a cara" de lado.

Essa foto aí de cima, eu tirei no avião indo pro Rio. Essa menina era mais uma dessa geração duracell - a qual eu conheço bem por ter um exímio representante da época em casa, como meu irmão - que não parou quieta nem por um minuto, nem mesmo quando passávamos por uma nuvem de chuva de granizo e sua mãe rezava com um terço na mão para que não morressemos ali, de forma tão... enfim, essa menina era daquelas criONÇAS detestáveis, com mil habilidades precoces, mais adultas que muito adulto. Mas quando ela parava e ficava quietinha assim, como na foto, mesmo que por segundos, ela me fazia lembrar de mim com essa idade o que, imediatamente me remetia àos sonhos infantis. Nosso destino era o mesmo. Nosso paraíso mental também. Ser criança, pra mim, é acreditar, sem medo, sem preconceitos, sem fim, sem pouso... mas sem poder comer uma melancia inteira sozinha.



domingo, 2 de outubro de 2011

Mundo da Lua




Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te.

Menino vadio...



... quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo...
Calor que provoca arrepio,
Toma esta canção
Como um beijo...



domingo, 18 de setembro de 2011



Depois chegara à conclusão de que ela não tinha um dia-a-dia mas sim uma vida-a-vida. E aquela vida que era sua nas madrugadas era sobrenatural com suas inúmeras luas banhando-a de um prateado líquido tão terrível.


- Clarisse L.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Diário de Viagem



" Eu tô muito longe de casa, em um lugar onde a vida acontece das mais variadas formas. O Rio me faz pensar no passado como se o futuro não ultrapassasse o presente. Há vida aqui transbordando de um mar cheios de diferenças, gritando pelo seu nome, seduzindo-o até você querer participar.