quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Watch out!







I cheated myself
Like I knew I would.

I told you I was trouble, You know that I'm no good.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Morro de Amores



Leblon Nov/2011     |      Do meu Instagram


O Rio. Têm crianças nas praças e praças no morro. Morro de amores. Rio da leveza desse povo, carregado de calor e de luta, povo bamba, que cai no samba, dança o funk e tem suingue até no jeito de olhar. Tem balanço no trajeto, no andar. Andar de cima, tem a música tocando. Andar de trem, tem gente em cima equilibrando. Andar no asfalto os carros quentes vão passando. Andar de baixo tem a moça no quintal cantarolando. Rios e baixadas, com seus vales vale a pena. Sua pobreza é quase mito quando fito o seu contorno, lá do alto de algum dos seus mirantes, que são tantos(!!!).E quem te disse que miséria é só aqui? Quem foi que disse que a miséria não sorri? Quem tá falando que não se chora miséria no Japão? Quem tá pensando que não existem tesouros na favela? Seus santos são fortes. Adoro o seu sorriso. Zona Sul ou Zona Norte, seu ritmo é preciso. Então tudo passa a valer a pena e a alma já não é mais tão pequena


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas.


domingo, 4 de dezembro de 2011






só quero isso. e sozinha.



A afetividade torta





Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo - e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada - as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.
Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes - exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma espécie decomidaaquilorização da afetividade. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.
O que temos hoje é uma porção de tortas sendo vorazmente garfadas e deixadas de lado, aos pedaços, disformes, tristes. Todo mundo quer um pedacinho de torta, uma fatiazinha fina do tipo "estou-de-dieta-não-quero-muito". Tem sempre alguém querendo dar uma mordiscada, uma lambidinha, uma passadinha de dedo marota. O que ninguém quer - ou tem coragem de fazer - é arriscar e levar a torta inteira para casa.
E essa é a grande lástima da nossa geração. Estamos acostumados a tirar lasquinhas de várias sobremesas e levar à balança do restaurante para pesar. É a insustentável leveza da torta mousse de chocolate e do cheesecake de framboesa. Estamos acostumados a ter muitas, muitas opções de comida. E de pessoas. Conheço gente que tem mais de 1.000 amigos no Facebook. Como se alguém fosse fisicamente capaz de ter mil amigos.
E qual é o resultado disso? Tortas garfadas e destroçadas, sem lugar cativo na geladeira de ninguém, vagando por aí, pelas noitadas, pelas festas, tristes, tortas. E, pouco a pouco, elas vão perdendo a doçura. Vão se tornando descrentes, azedas, estragadas pelo ataque dos garfos despretensiosos.
Somos tortas. Claro que somos comidas. Mas o que eu queria mesmo era experimentar a sensação de ser a preferida de alguém. Aquela que é levada dentro do pacote - o pacote completo, com todos os defeitos e qualidades, com todas as garfadas sofridas, com tudo aquilo que faz de mim a torta gigante que eu sou. Estou farta de me pedirem pedacinhos. Quero ser levada por inteiro.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sleepy Beauty






Tenho dormido demais. Demais, no sentido "excesso" da palavra. É como se eu pudesse dormir tudo que não dormi em tantos anos. Em tantas tardes, tantas noites. Durmo profundamente, mas não leia isso como "perfeitamente". Pesadelos ou sonhos estranhos continuam me atormentando e, principalmente, os "what if" que a vida insiste em trazer. Mas e se eu não tivesse dito aquilo? E se não tivesse ido? E se tivesse feito tudo diferente? Não gosto de sentir arrependimento, nem pelos meus erros. Tenho procurado me confortar em uma zona de pensamento em que não-arrepender-se, hipotéticamente, me tornaria alguém muito melhor, mais tranquila, mais segura de mim e das minhas ações. Mas, às vezes, acho que essa linha só me afasta do que eu realmente deveria sentir. Culpa. Talvez tudo tenha sido culpa minha mesmo. E, então, não terá sido ele, nem o destino, nem a distância, nem nossas profissões ou famílias ou cabeças diferentes que estragaram tudo. Talvez tenha sido esse excesso. Excesso de amor, de informação, de tempo, de cobranças, de faltas, de falhas. Tentar fingir que não há arrependimento nenhum, culpa nenhuma é como jogar a poeira pra baixo do tapete: em algum momento, depois de algum movimento, ela vai aparecer, maior e mais forte e tudo o que supostamente eu teria construído para superá-la e me livrar, só mostrará que nada foi a não ser uma tentativa nunca alcançada de apagar o passado.

Perceba que até este ponto do texto, falei sobre mais de quatro pontos de vista de uma mesma situação e é exatamente assim que tem sido: sem ponto de chegada, sem ponto de partida. 

A única verdade, limpa, branca, crua é que estamos sós. Exatamente como éramos antes. Exatamente como já previsível seríamos depois. E já somos. Brancos. Nulos. Crus prum mundo inteiro que abre-se bem abaixo nossos olhos. Um mundo que sempre foi o mesmo. O que não é mesmo somos nós, ou melhor, eu e você.